Do razoável a pior - Hospitais-empresas são os piores
Antes da implementação das reformas no sector, o Sistema Nacional de Saúde português era considerado o 12º melhor sistema de saúde do mundo. Não sendo um sistema perfeito, era razoável.
Não sendo o melhor do mundo, poderia ser melhorado em muitos aspectos.
Sem qualquer dúvida, todas as alterações introduzidas deveriam ser avaliadas com honestidade no sentido de manter a qualidade dos serviços uma vez que se trata de um direito constitucional.
Um estudo da Direcção-Geral da Saúde, que avaliou o desempenho de vários hospitais segundo os seus meios de diagnóstico e terapêutica, bem como as suas capacidades hoteleiras, revelou que os hospitais-empresa são mais ineficientes do que os hospitais do sector público administrativo.
De acordo com a investigação(pdf), foram detectadas graves desigualdades "nas áreas de despesa com hospital de dia por sessão, dos medicamentos em hospital de dia por sessão, dos medicamentos na consulta externa por consulta, e na medicina física e reabilitação por doente tratado". O estudo refere ainda a baixa percentagem de pequenas cirurgias (sem internamento), realizadas nos hospitais-empresa.
O elogio à suposta eficiência do modelo empresarial, em relação à gestão administrativa praticada nos hospitais, parece assim ser confrontado com a realidade dos factos. A adopção de um lógica de mercado na distribuição dos serviços públicos, sejam eles de saúde ou de educação, não tem como principal objectivo uma oferta mais eficiente, mas sim a cega redução de despesas, feita à custa dos trabalhadores as instituições e dos seus consumidores.